Buscar

Ceia do RESGATE

Ceia de final de ano feita com alimentos coletados do lixo.


Segundo dados da FAO cerca de 1/3 do alimento do mundo é desperdiçado, há pesquisadores que acreditam que este valor é subestimado. Para produzir alimentos há uma alta demanda de solo, petróleo necessário na adubação e transporte, água, energia elétrica para bombear água e refrigerar/processar, etc. Horas de trabalho. Hoje há estimativas que apontam a produção de alimentos como a segunda principal causa de emissões de CO2, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas. Reduzir o desperdício parece ser um passo importante e inquestionável para uma existência mais responsável no mundo.


Com esta ideia em mente decidimos fazer a Ceia do Resgate, isto é, coletar alimentos nos restos de feiras, containers de coleta de lixo orgânico da prefeitura da cidade de Pelotas (RS) e financiar os demais alimentos exclusivamente com garrafas plásticas PET e latas de alumínio coletadas pela cidade no período de uma semana.


Hoje há estimativas que apontam a produção de alimentos como a segunda principal causa de emissões de CO2, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas. Reduzir o desperdício parece ser um passo importante e inquestionável para uma existência mais responsável no mundo.

Elegemos como alimentos base da ceia arroz, feijão, e farinha de mandioca, três alimentos acessíveis a qualquer segmento da população e, no caso do feijão e mandioca extremamente vinculados a agricultura familiar. Estes três itens da ceia foram adquiridos no CAPA, uma cooperativa de pequenos agricultores locais, conectados a Igreja Luterana. Todos os demais itens foram coletados neste misterioso terreno que chamamos de "lixo". Empregamos também de forma simbólica plantas alimentícias não convencionais (PANCs) pois acreditamos que trazem um potencial nutricional único e também auxiliam no questionamento de nossa cultura gastronomia se forma e se consolida.

A coleta do alimentos e das embalagens plásticas e latas de alumínio foram feitos à pé. Isto também fez parte da proposta de resgatar a caminhada como uma forma de deslocamento na cidade. Na verdade, como descobrimos mais tarde, uma forma perfeita para atividades como busca e coleta. Caminhar é dar atenção ao espaço. O transporte das garrafas Pet (5,6kg) e das latas (4,8Kg) até o ponto de venda de material foi realizado de bicicleta, divididos em três etapas.

Para nossa surpresa foi mais fácil do que pensamos encontrar comida, não só comida mas também plástico e alumínio. Com tranquilidade seria possível coletar muito mais do que conseguiríamos consumir ou demandaríamos para o projeto. Em um mundo em que perdemos o respeito pelo alimento o que é passível ainda de ser respeito?

Que em 2019 todos tenham que comer. Que o valor do alimento seja resgatado. Que possamos votar a respeitar um prato de arroz com feijão e assim termos existências mais harmônicas.

Balanço de uma única coleta, com direito a dois corpos de vinho.



Frutas descartadas na feira de sábado da cidade, lixo este conhecido como "Xepa".



Da diversidade do conceito de "lixo orgânico". Luminárias plásticas, bóias de barco, raquetes de tênis, decorações de natal...



Metade do conteúdo total de latas de alumínio coletado. Juntas com as garrafas PET financiaram os alimentos que precisaram ser comprados.


Nós no terraço, este provavelmente com mais de 40 anos de existência do prédio foi a primeira vez que houve um jantar no local. É necessário repensar como usamos, ocupamos e desfrutamos dos espaços.

©2019 por ATERRA. Orgulhosamente criado com Wix.com